2- Baile Carnavalesco

Chega ser ruminante observar um país carbonizando os dias em um perfeito marasmo de “nada”. Tento consolar-me imaginando que o “nada” seja o grande divisor ente a quantidade e a qualidade, mas aí minha revolta toma o salão novamente.
Essa sensação é fruto de 15 minutos de observação em uma cidade onde os foliões carnavalescos dizem chegar ao êxtase e pude certificar o porque.
Aquele lugar parecia a Paissandu nos anos 50, e de certo a Paissandu fosse menos extravagante. As meninas praticamente despidas em todos os âmbitos, formulando posses esquemáticas que mais me lembravam as cenas rupestres dos ritos sexuais, dançando ao som de uma mistura de notas musicais pífia não pentagramada.
Posso definir aquele quadro como um bacanal a céu aberto, onde não havia um vestígio de trocas ideacionarias, não havia se quer uma troca verbal, pois o conflito de decibes impediam que tais informações do mundo conectado chegassem. Bom! E dependendo de sua analogia chegavam.
Pode parecer quadrado de minha parte descrever esta cena, sem quaisquer considerações, mas vejo-me com um hiato entre a idéia e a verdade, híbrida entre a arte e a vida, portanto pretendo caminhar na velocidade da vida, e foi ela que levou-me há 13km dali, e pude sensivelmente conferir uma tranqüilidade produtiva, quando pus na agulha um filme chamado “ Hotel Rwuanda”, que descreve todo o terror vivido em Kigali(África) em 1994, onde duas facções políticas, os Tutsis e Hutus resolvem entrar em conflito pelo poder, levando a quase o genocídio com a morte de aproximadamente um milhão de kigalenses, antes fosse a esperteza do gerente do “Hotel Milles Collines” chamado Paul Rusesabagina que conseguiu proteger 1.268 pessoas entre Hutus e Tutsis e hoje Paul e sua família (Tatiana-esposa; Roger, Diane, Lys, Tresor-filhos e Anais e Carine- sobrinhas) hoje vivem erradicados na Bélgica.
O mundo fechou os olhos para aquele povo, mas quando enfim abri os meus já em frente a porta da casa, vi um agricultor simplório passar em sua carroça, ao mesmo tempo reportei-me a horas atrás naquela cidade que dista 13km, pude concluir que não são só os kigalenses que quasse sofreram um genocídio. Nós também vivenciamos tal realidade da pior forma, pois isso acontece em vida.
Toda essa exatidão fez parte do meu baile carnavalesco. E quanto a nota pra esta apresentação! Fica a seu critério. Só não queria ser mais uma viola carnavalesca.

Jaqueline Bezerra (Jaque)
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Exposição: Antonio Júnior

Num passeio pelos Interiores

Partes do Interior

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Foto: Antonio Júnior

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